Caicó/RN - Segunda-feira, 06 de setembro de 2010  
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Caicó através dos tempos
Por Adauto Guerra

Várias lendas tentam explicar a história da origem da cidade de Caicó. Assim sendo, não é fácil conhecer a verdadeira história. Porém, todas envolvem um vaqueiro, uma promessa e o que é de mais importante: a construção da capela que marcou a fundação da cidade, em 1725. Também é interessante atentar para dois detalhes fundamentais.

Primeiro que na época já existia a fazenda pertencente a Manoel de Souza Fortes, o fundador da cidade, através da construção da capela. Além da casa da fazenda, existia também a casa dos escravos. Em segundo lugar, a Matriz de Santana de hoje não é a primeira capela, pois a matriz atual foi iniciada em 1748 pelo vigário Francisco Alves Maia. Há quem diga, e com certa lógica, que a primeira capela foi construída onde atualmente se encontra a Igreja do Rosário, iniciada em 1725 e reformada em 1864 por Luiz Chermont. Essa tese é bastante defendida pelo monsenhor Eymard Monteiro, autor do livro Caicó, editado em 1945. Neste livro, cita a tradição da época de que, sempre que uma igreja era construída, a capela anterior passava para a proteção de Nossa Senhora do Rosário. Aqui no sertão temos outro exemplo; a antiga igreja de Nossa Senhora da Guia de Acari, substituída pela atual matriz, em 1863. Depoimentos de pessoas antigas afirmam que Manoel de Souza Fortes, anos mais tarde, voltara para Goiana, Pernambuco, deixando várias léguas de terras para Nossa Senhora Santana e sua fazenda sobre a responsabilidade do seu primo, um português solteirão que tinha o sobrenome de Gama. Este deu início ao povoamento e ao falecer, deixou seus bens como herança para Santana.

O povoado crescia gradativamente, razão pela qual não tinha sentido continuar sendo chamado Sítio Caicó ou Ribeira do Seridó, conforme o antigo documento com data de 7 de setembro de 1736, em que fala de uma sesmaria de três léguas dadas ao capitão Inácio Gomes da Câmara. O nome Caicó foi devido aos primeiros habitantes, os índios Cariris do grupo Caiacós. Então, no dia 31 de julho de 1788, foi instalado o município com o nome de Vila Nova do Príncipe, pelo ouvidor da Paraíba Antônio Felipe Soares de Andrade Bredorodes, numa homenagem ao príncipe, futuro Dom João VI. No dia 15 de dezembro de 1868, pela Lei nº 12 de 1º de fevereiro de 1870, mudaria o nome da cidade para Seridó. Recebeu o nome atual definitivamente no dia 7 de julho de 1890, pelo decreto nº 33. Assim mesmo, em 1931 surgiu no Rio de Janeiro um movimento em defesa da mudança do nome de Caicó para Amaro Cavalcante, por parte de alguns norte-rio-grandenses que lá residiam. E só não se concretizou o intento graças a um movimento de protesto do povo de Caicó, encabeçado pelo tabelião Esperidião Eloy de Medeiros, tio do senador Dinarte Mariz, que enviou no dia 7 de janeiro de 1932 ao Centro de Notícias Norte-rio-grandense, no Rio, um abaixo-assinado com 70 assinaturas de pessoas idôneas da cidade.

A História Religiosa

Eclesiasticamente, Caicó era ligada à paróquia de Nossa Senhora do Bonsucesso, de Piancó, na Paraíba. Seu desligamento deu-se no dia 15 de abril de 1748, pelo visitador Manoel Machado Freire, em documento assinado por Dom Frei de Luiz de Santa Tereza, bispo de Olinda. Mais tarde, Caicó passaria a pertencer à Diocese da Paraíba. No dia 19 de outubro de 1910, foi criada a Diocese de Natal, pelo Papa Pio X, passando Caicó a pertencer à Província do Rio Grande do Norte, tendo como bispo Dom Joaquim Antonio de Almeida.

No dia 21 de setembro de 1929, o saudoso bispo Dom Marcolino Dantas se dirigia a Caicó na companhia do governador Juvenal Lamartine. No dia seguinte, os visitantes foram homenageados com um banquete e nesta oportunidade o bispo fez um discurso, o qual manifestou desejo de criar uma diocese no Seridó. Porém, isso só ocorreu 10 anos depois, no dia 25 de novembro de 1939. Ao saudoso Monsenhor Walfredo Gurgel, vigário da matriz, coube a honra de anunciar os fiéis, no dia 8 de março de 1940.

No dia 26 de junho de 1941, Caicó tinha o seu primeiro bispo, na pessoa de Dom José de Medeiros Delgado, natural de Pombal, na Paraíba. Em 1951, tomava posse o segundo bispo, Dom Adelino Dantas, natural de São Vicente. Em 1959, Dom Manoel Tavares é nomeado o terceiro bispo. Dom Heitor de Araújo Sales foi o quarto e o quinto Dom Jaime Vieira Rocha, natural de Tangará, que assumiu em 4 de fevereiro de 1996. Atualmente, o cargo de bispo diocesano se encontra vago.

A Criação do Município

Juridicamente, Caicó pertenceu à Paraíba até 1818, posteriormente a Assú, onde ficou até 1858. No dia 19 de junho deste mesmo ano, foi criada a comarca do Seridó, abrangendo os mais antigos municípios: Caicó e Acari. A partir daí Caicó passou a contar com o seu primeiro magistrado, o juiz Valentino Dantas Pinagé.

O Marco da Educação

Para a Educação, o município sempre ocupou uma posição de destaque. O padre Francisco de Brito Guerra, senador do Império, no ano de 1832 construiu a Escola de Latim, em cujas bancas sentaram-se seridoenses famosos, como os irmãos Amaro Cavalcante e padre João Maria. Teve também professores famosos, como Joaquim Apolinar Pereira de Brito, seu sobrinho, e Manoel Augusto Bezerra de Araújo, pai de José Augusto. No dia 16 de fevereiro de 1909, foi criada a Escola Senador Guerra pelo então governador Alberto Frederico de Albuquerque Maranhão, passando a funcionar no dia 25 de março do mesmo ano, tendo como diretor interino José Augusto e posteriormente o professor Pedro Gurgel, pai do Monsenhor Walfredo. As primeiras professoras foram Felomena Dantas e Alzira Monteiro. Entretanto, o percussor em termos de ensino primário foi Antônio Mateus Viana, que lecionou de 1836 a 1844. A antiga Escola Senador Guerra funcionou no prédio da antiga Prefeitura Municipal, construída em 1888-1889. O atual prédio do Senador Guerra foi inaugurado no dia 22 de setembro de 1925, no governo de José Augusto. No dia 11 de outubro de 1925, Dom José Pereira Alves, bispo de Nata, fundava o Educandário Santa Terezinha. Em 1942, Dom José Delgado fundou o Ginásio Diocesano Seridoense, hoje CDS. O maior estabelecimento de ensino, o Centro Educacional José Augusto – CEJA, foi inaugurado em 1960 no Governo Dinarte Mariz.

Os Movimentos Populares

Caicó sempre participou ativamente dos movimentos populares. Na revolução de 1817, um grupo de rebeldes aqui chegou e acampou na Rua do Serrote, onde hoje se situa o Educandário Santa Terezinha. Padre Guerra achando que a Vila não tinha estrutura para participar do movimento, aconselhou-os a procurar um centro maior. Eles seguiram para o Ceará.

Em 1926, o deputado Juvenal Lamartine tomou conhecimento de que a Coluna Prestes invadiria o Seridó via Serra Negra. Improvisou um batalhão de voluntários, intitulado de “Batalhão Treme-Terra” e foi para a fronteira. Ele próprio esteve à frente juntamente com o tenente Genésio Lopes, o intendente municipal coronel Joel Damasceno, o major Camboim, o coronel Celso Dantas e outros mais. O mesmo batalhão se organizou no ano seguinte, quando surgiram rumores que Lampião viria a Caicó.

 

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